eu pinto. – Aquela poesia angustiante
é como se eu tivesse esquecido cedo demais. não esqueci. esquecido significaria não ter nenhuma lembrança de outros lábios nos meus – sua textura, seu calor, a respiração que roubo. significaria não saber o som do meu nome vindo de uma voz profunda, sussurrada, murmurada, acariciada, porque – simples porque – os sentimentos não podem ser evitados.
eu me encontrei no corpo de um homem que eu gosto. aquela alma com a qual estou familiarizado; eu odeio… eu amo. a alma que eu gostaria que ficasse imóvel sob a luz do sol antes de se esconder.
como ouso esquecer o que faço comigo mesmo pela promessa de uma mão ser dada? às vezes, estou no meio de uma multidão. a música está alta, as pessoas estão dançando e eu também. então eu paro, de repente. eu fico ali, um broto.
como cheguei aqui?
a resposta é engraçada. eu nunca esqueci. eu não menti sobre estar apaixonado por mim mesmo. já compartilhei muitos beijos para que alguém me prendesse. se algum dia eu for desonesto, no dia seguinte me encontrarei chorando sem motivo.
a verdade é que estou procurando uma maneira de me amar incondicionalmente.
