Chris Portka cria um clássico atemporal e distorcido em “The Album Everyone Wants”

Chris Portka cria um clássico atemporal e distorcido em “The Album Everyone Wants”


“The Album Everyone Wants”, de Chris Portka, parece uma carta de amor à própria música – um disco que altera o tempo, o gênero e as expectativas, ao mesmo tempo que permanece fundamentado na poeira e no ouro do cancioneiro americano. Gravada entre o icônico Sear Sound de Nova York e a Oakland’s Brothers (Chinese) Recording, esta coleção de 11 faixas é o trabalho mais colaborativo e aventureiro de Portka até hoje, um caso de banda completa que une quatro composições originais com sete covers reinventados de artistas tão variados como Syd Barrett, Skip Spence e George Jones. O resultado é um projeto que parece ao mesmo tempo íntimo e expansivo, impregnado de ruído de indie rock e sotaque de pedal steel, onde a sinceridade e o surrealismo coexistem em perfeita harmonia.

Desde a primeira audição, o que mais chama a atenção é a forma como Portka consegue confundir as fronteiras entre o antigo e o novo, a reverência e a reinvenção. Cada faixa, seja ela escrita por ele ou emprestada de outra pessoa, carrega sua inconfundível impressão digital sonora – um ruído calmo, constante e bonito que silenciosamente se expande para algo cinematográfico. Com coprodução e mixagem do veterano indie Jasper Leach, conhecido por seu trabalho com Burner Herzog, Brasil, e The Symbolick Judeus, o álbum captura um calor e uma textura que as gravações modernas muitas vezes perdem. Está vivo como os discos antigos costumavam ser: o chiado entre as tomadas, a sensação de que você está escutando algo genuíno e um pouco grosseiro, como um raio em uma pequena sala de estúdio.

“Fun in the Summer”, uma faixa que faz jus ao título enquanto soa como Lou Reed indo para a Costa Oeste. É uma psicodelia queimada pelo sol com um toque de nostalgia agridoce – guitarras cintilantes, bateria constante e uma melodia que flutua como calor na calçada. Você pode praticamente sentir o ar de São Francisco enquanto a música se desenrola, nebulosa e de espírito livre, mas ancorada por um groove pulsante. Ele dá o tom para o que está por vir: um som ao mesmo tempo familiar e distante da realidade, onde o conforto encontra a curiosidade.

Um dos originais de destaque, “She Looks So Good Tonight”, leva o talento de Portka para a sutileza emocional a alturas altíssimas. É sonhadora e varrida pelo vento, uma canção de amor repleta de memória e melancolia. Há algo de cinematográfico em seu ritmo – você quase pode imaginar faróis em uma estrada costeira, uma história de amor se desenrolando no espaço entre os versos. Como Nick Drake com tudo aumentado para 11, ele equilibra fraseado vocal delicado com camadas de som que parecem etéreos sem perder o toque humano.

As capas, por sua vez, são onde a inventividade de Portka brilha mais. Sua versão de “Tennessee Whiskey” reimagina o clássico de Dean Dillon/Linda Hargrove como uma odisséia descolada com infusão de krautrock, misturada com pedal steel e ritmo motorizado. É ousado, mas nunca irônico – uma prova de sua capacidade de tratar o passado com respeito e reinvenção. “The Observer” mergulha nas raízes do rock americano de um ângulo diferente, explorando um território existencial que lembra The Pretender, de Jackson Browne, ou Inside the Golden Days of Missing You, dos Silver Judeus. É reflexivo, atemporal e um pouco assombrado, como uma transmissão de rádio de algum lugar entre agora e para sempre.

Parte do que torna “The Album Everyone Wants” tão atraente é a sua comunidade de colaboradores. Ao lado de Portka e Jasper Leach estão membros da Al Harper Band – Al Harper e Omar Negrete – acompanhados por Mike “Bonecrusher” Vattuone na bateria, Beardwail (Tom Meagher) apresentando solos de guitarra expressivos e selvagens, Alison Niedbalski fornecendo vocais de apoio suaves e Kyle Carlson tecendo melodias de pedal steel que atingem o coração. Juntos, eles criam um som que parece expansivo, mas nunca lotado, como uma jam session que dura a noite toda e que de alguma forma se transformou em algo eterno.

A produção do álbum parece tão intencional quanto suas performances. Cada faixa tem espaço para respirar, cada instrumento ganhando seu momento sem ultrapassar. A masterização de JJ Golden – cujos créditos incluem Calexico, Vetiver e Thee Oh Sees – reúne tudo isso com o polimento de quem entende tanto de fidelidade quanto de sentimento. Você ouve cada respiração, cada zumbido da guitarra, cada pequena imperfeição que torna tudo humano.

Para Portka, que atualmente se apresenta mensalmente no Vintage Elmwood Wine Bar em Berkeley, CA, e planeja apresentações em lojas de discos e locais selecionados, “The Album Everyone Wants” não é apenas um lançamento musical, mas uma declaração de arte. Celebra a colaboração, a história musical e a linha tênue entre tributo e transformação. Há uma sensação subjacente de que este álbum não está perseguindo tendências ou algoritmos de streaming – ele existe inteiramente em seu próprio comprimento de onda, um trabalho feito para ouvintes que desejam honestidade e textura em sua música.

O lançamento em vinil, disponível através de um lançamento underground independente no Seek Collective, parece o formato perfeito para um álbum desta natureza. O estalo tátil de uma agulha encontrando a cera reflete a imprevisibilidade orgânica do som de Portka. Este não é apenas o título “O álbum que todos querem” – é aquele que você não sabia que estava perdendo até ouvi-lo. Um disco que parece atemporal, feito à mão e um pouco fora de sintonia com a realidade, nos melhores aspectos. É um lembrete de que a boa música não precisa gritar para ser ouvida; às vezes, ele apenas vibra baixinho em sua alma até você perceber que esteve lá o tempo todo.

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