SCAB captura alegria e caos em “LOVE”
SCAB soa como uma cidade aberta na hora mais silenciosa e barulhenta da noite. Formada em Ridgewood, Queens, a banda vem diretamente da tensão vivida na vida de Nova York – do tipo que vibra sob as luzes bruxuleantes da rua e pega o último trem para casa. O vocalista Sean Camargo escreve como se estivesse captando momentos no meio do caminho: um olhar trocado na plataforma do metrô, o peso do silêncio de um parceiro, a lenta dor que surge ao perceber que as coisas mudaram para sempre. O que começou como um acrônimo evoluiu para algo mais simbólico – uma borda endurecida formada por anos de atritos pessoais, dores coletivas de crescimento e o ato teimoso de permanecer por tempo suficiente para se transformar.
Em seu novo álbum, Somebody In New York Loves You!, SCAB se volta para dentro enquanto se expande para fora ao mesmo tempo. As canções abraçam a vulnerabilidade sem se dissolverem na abstração, inspirando-se nas realizações psicodélicas de Camargo, em anotações de diário profundamente pessoais e em momentos de ruptura emocional que parecem honestos demais para serem ignorados. Faixas como a alegre “Strawberry Jam” e o hino “Red Chair” exploram o amor em suas muitas formas – romântica, familiar e autodirigida – com uma clareza que parece ao mesmo tempo de olhos arregalados e desgastados. “A única verdade que eu realmente conseguia sentir era o amor”, diz Camargo, “e tudo o que fiz foi tentar fugir dele ou me aproximar”. Essa tensão – entre a fuga e a rendição – está no cerne do disco.
Grande parte do álbum surgiu durante uma onda criativa desencadeada por uma leitura psíquica que deixou Camargo sentindo-se estranhamente afirmado e livre, e aquela sensação de realismo mágico perdura por toda parte. Objetos do cotidiano – um toca-fitas, uma caixa de fósforos gasta, um cartão de passeio em Coney Island – ganham um peso talismânico, enquanto os sonhos de pais perdidos retornando confundem a linha entre a memória e a imaginação. Sonoramente, a banda remete ao rock de estádio do início dos anos 2000, refratado pelos becos pós-punk de Nova York. Às vezes, o SCAB parece enorme, como se estivesse alcançando uma multidão do tamanho de um campo; em outros, as músicas parecem estranhamente íntimas, como ouvir uma mensagem de voz destinada a mais ninguém.
Esse equilíbrio entra em foco no mais novo single da banda, “LOVE”, o momento mais direto e sincero do álbum. É uma gratidão pura e sem filtros – pelas pessoas, lugares e momentos fugazes que tornam a vida digna de sobrevivência, até mesmo bonita. A música é uma carta de amor a Nova York, à família, à perda e ao ato de recomeçar quando não se tem um mapa. O vídeo que acompanha Sampson Dahl captura esse espírito perfeitamente: filmado em sua lavanderia em filme beta, ele se desenrola como uma colagem desconexa e única que parece o Playhouse de Pee-wee colidindo com um devaneio do Britpop. Há algo profundamente nostálgico e artesanal nisso, como tropeçar em uma velha fita VHS onde alegria e caos se misturam sem explicação.
Com Somebody In New York Loves You!, SCAB abre espaço para contradições – músicas que são pessoais, mas expansivas, ingênuas, mas conscientes, imaginativas, mas fundamentadas. Depois de anos de falsos começos, shows encharcados de chuva e dúvidas silenciosas, a banda emerge soando lúcida e totalmente presente. O álbum não reflete apenas Nova York; respira com ele, mantém seu olhar e diz, sem vacilar, alguém aqui te ama.
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